Devotos Católicos e Progressistas Seculares

Imagine que estou concorrendo a um cargo público – digamos, para presidente dos Estados Unidos – e me afirmo como sendo um “progressista secular comprometido”.

Você pode dizer: “Mas, professor George, você não é tal coisa. Você não é secular – você é católico; você não é progressista – você é conservador.”

Eu respondo: “Ei, mas fui educado por progressistas seculares. Fui para Swarthmore, depois Harvard, depois Oxford: todas estas instituições seculares são dominadas por progressistas. Eu ensino em Princeton – supersecular e progressista. Aprendi o catecismo progressivo secular. Eu sei de cor; posso citar literalmente. Meus professores progressistas seculares moldaram amplamente quem eu sou. Sou grato a eles todos os dias pela excelente educação que me proporcionaram. Isso faz parte da minha vida, cara.

“E sabe o que mais? Está na minha família! Meu avô materno era secularista. Ele era um italiano anticlerical. Ele até era um maçom. Eu amava e adorava aquele homem. Ele foi uma grande influência para mim!”

Você, então, pode contestar: “Mas, professor, você não acredita nas doutrinas do progressismo secular. Você é pró-vida! Você acredita que o casamento é a união conjugal de marido e mulher. Você acha que Jack Phillips não deveria ser forçado a criar e assar bolos para casamentos gays e que as Little Sisters of the Poor não deveriam ser forçadas a fornecer ou facilitar a contracepção. Como você pode alegar ser um progressista secular comprometido?!”

Eu retruco: “Ei, como eu disse, cara, este é quem eu sou! Este é quem eu escolho ser. É minha autodefinição. Minhas opiniões pessoais são uma coisa, mas não ditam necessariamente o que acho que as políticas públicas deveriam ser. E você está apenas escolhendo algumas questões. Olha, eu acredito em ajudar os pobres. Também sou a favor da reforma do sistema de justiça criminal. E sou contra a pena de morte. Acredito em acolher refugiados e ser humano no tratamento de imigrantes, incluindo os indocumentados. Esses valores, para mim, estão no cerne do que significa ser um progressista secular. Não quero ficar preso a aborto, casamento gay, assar bolos e essas coisas. Ser um progressista secular é, na verdade, lutar contra a pobreza e defender a reforma da justiça criminal e outras coisas que realmente importam na vida das pessoas comuns. E, a propósito, quem é você para questionar minha fé progressista secular? Eu defino quem eu sou, não você.”

Você replicaria: “Mas, se você puder apenas se rotular como um ‘progressista secular comprometido’, apesar de sua oposição aos pilares centrais da plataforma progressista secular, como ‘direitos reprodutivos’ e ‘igualdade no casamento’, então o que significa ser um progressivo secular?”

Eu responderia: “Ei, isso significa o que significa para mim. Olha, cara, se outros políticos podem atribuir a si mesmos rótulos como ‘católico devoto’, mesmo que apoiem o casamento entre pessoas do mesmo sexo e o aborto – até mesmo o aborto financiado pelo governo – e forcem Jack Phillips a assar bolos com tema gay e também forcem as Little Sisters of the Poor [a apoiarem a] contracepção, então certamente posso me rotular de progressista secular, embora esteja do outro lado nessas questões. Se o pessoal da mídia decidir ajudá-los, os dando apoio com a alegação de que são ‘católicos devotos’, então que desculpa eles poderiam ter para negar-me minha autoidentificação como um ‘progressista secular comprometido’? Se funciona de um jeito, então certamente deveria funcionar de outro jeito também. Ou seja, é uma via de mão dupla. Certo, meu caro?!”

Robert P. George é o Professor McCormick de Jurisprudência da Universidade de Princeton.

Fonte:
https://www.firstthings.com/web-exclusives/2020/08/devout-catholics-and-secular-progressives?fbclid=IwAR3OEVE47YLNOoLwRHLY_EGeycaRLr3eKiba7xLHzOk8-8SF8hj1tGUIY5A

*Traduçao livre

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