Atiradores matam 14 pessoas em igreja em Burkina Faso

Fonte primária: Gazeta do Povo / Danielle Paquette Dakar, Senegal/ Washington Post[02/12/2019] [17:04]

A soldier of the French Army patrols a rural area during the Barkhane operation in northern Burkina Faso on November 9, 2019. (Photo by MICHELE CATTANI / AFP)

“Homens armados fizeram mais um ataque a um culto religioso no país de Burkina Faso, na África Ocidental, matando 14 pessoas e ferindo várias outras na pequena cidade de Hantoukouram, no leste do país.

O massacre de domingo (2) ocorre após ataques de insurgentes islâmicos radicais contra postos militares, um comboio de mineração e locais de culto na zona rural, uma região em que o exército tem se esforçado para conter os conflitos.

Os criminosos fugiram com motocicletas depois de atirar contra a congregação protestante, disseram as autoridades.

“Ofereço minhas mais profundas condolências às famílias enlutadas e desejo uma rápida recuperação aos feridos”, tuitou o presidente de Burkina Faso, Roch Marc Kaboré, no final do domingo.

Nenhum grupo assumiu a responsabilidade pelo ataque até o momento, mas combatentes ligados ao Estado Islâmico e à Al Qaeda costumam emboscar soldados e civis como parte de sua campanha para semear discórdia, ganhar recrutas e tomar território.

Esses ataques quadruplicaram nos últimos dois anos em Burkina Faso, que já foi conhecido como um Estado agrícola pacífico que valorizava a arte e a tolerância religiosa. A população do país, de cerca de 19 milhões de habitantes, é formada por cerca de dois terços de muçulmanos, com uma minoria cristã.

Agora Burkina Faso é um foco de terrorismo na problemática região do Sahel, que fica ao sul do deserto do Saara.

Autoridades dos EUA alertaram que grupos extremistas estão explorando o terreno remoto para treinar, recrutar seguidores à força e planejar ataques em todo o mundo.

O número de mortes está a caminho de aumentar 60% este ano, em comparação com o número de 1.112 em 2018, segundo o Centro Africano de Estudos Estratégicos, em Washington.

Aproximadamente 500 mil pessoas foram forçadas a deixar suas casas em meio à instabilidade, estima a Organização das Nações Unidas (ONU).

“As pessoas que fogem da violência relatam ataques contra suas aldeias feitos por extremistas, que frequentemente recrutam à força e com armas de fogo homens residentes nos locais, matando aqueles que resistem”, disse Babar Baloch, porta-voz da agência de refugiados da ONU, a jornalistas em Genebra no mês passado. “Os militantes também roubam gado e outros bens”.

O exército de Burkinabe está trabalhando com soldados franceses e forças de países vizinhos para combater a insurgência, que começou após o colapso do governo da Líbia em 2011 e desencadeou uma violenta reação em cadeia na África Ocidental.

Mercenários armados contratados pelo ditador líbio Muamar Gaddafi voltaram para o Mali e formaram uma aliança com extremistas, o que desencadeou um conflito que se estendeu pela fronteira até Burkina Faso.

A emboscada da igreja em Hantoukoura segue ataques a locais de culto que mataram dezenas este ano nas zonas fronteiriças do país.

Militantes executaram sumariamente um padre católico no leste de Bittou em fevereiro e invadiram um culto protestante dois meses depois no norte de Silgadji, matando cinco pessoas.

Eles incendiaram outra igreja na região em maio e atacaram uma procissão no dia seguinte, matando um total de nove pessoas. Eles fizeram uma emboscada em uma missa de domingo no norte duas semanas depois, matando quatro pessoas.

Os tiroteios costumam ser indiscriminados, dizem os analistas, mas os extremistas têm alvejado homens que usam cruzes e líderes muçulmanos que não seguem suas regras.

Alguns veem os ataques contra igrejas como uma estratégia para alimentar tensões religiosas em um país onde crianças muçulmanas e cristãs brincam juntas na rua.

“Eles estão plantando as sementes de um conflito religioso”, disse Chrysogone Zougmore, presidente do Movimento Burkinabe pelos Direitos Humanos e dos Povos, um grupo de defesa de vítimas da capital do país, Ouagadougou, ao Washington Post em agosto. “Eles querem criar ódio. Eles querem criar diferenças entre nós.”

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